| Luiz-Olyntho Telles da Silva Psicanalista |
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Conheça a BORGONHA
Ana Mariano
À sombra torta de uma
boina
desce a rua,
pouco a pouco,
vincando o rosto da manhã. Galho nodoso, cepa a quem cortaram as raízes, forma guardando o mosto, algo nele ainda é doce, dura doçura de vinho, uva passada, já passa, esquecida na videira. Nem sei por que o persegue o meu olhar preguiçoso. Descança a bengala, cansaço atrapalhando quem passa. Fruto maduro, o sorriso ao alcance do meu braço. Ao alcance de um abraço que não dei porque loucura, calor inútil, impossível quando o amor é brilho breve, apenas raspas de brilho. De rosto, feito de rugas, morrente casca incendiada, ficam comigo dois olhos emprenhados de passado, de onde espia um menino e, num instante, já passa. |